domingo, 11 de abril de 2010

Receita De Uma Vida Medíocre

Querido leitor, se você deseja uma cômoda vida de mediocridade, sem preocupações, desafios e crescimento, aceite esta receita que lhe oferecemos, que mostrará, não tenha dúvida, um guia seguro:

1- Antes de pensar, primeiro sobre o que deve ser pensado, consulte a sociedade, de preferência as pessoas ligadas às "altas rodas". Lembre-se sempre de pensar com a cabeça dos outros e nunca com a sua própria.

2- Concorde imediatamente com tudo o que o professor, o padre, o pastor, o presidente, o chefe, o amigo... disserem. Não reflita e não analise. Pode ser perigoso para a sua saúde.

3- Em tudo o que fizer, pensar e disser, só procure agradar aos demais.

4- Considere a sua cidade e a sua religião como tudo o que existe. Afaste-se dos perigos de novos horizontes culturais. Se alguém aparecer com outras idéias, que difiram das suas, combata-as com todas as armas e afaste-se como se fosse da peste.

5- Seja um companheiro fiel da sua poltrona. Assista à televisão o mais possível e, em especial, programas dominicais das redes hegemônicas: Globo, SBT, Record e Bandeirantes. As novelas da Globo e Record deverão ocupar a maior parte do seu tempo. Aliás, elas deverão ser a sua segunda religião.

6- Leia o menos possível. Mas se resolver ler, só assuntos da sua área de interesse. Cuidado com outras leituras. Elas podem deformar a cabeça.

7- O que o Jornal Nacional disser será, de agora em diante, a tua lei e a tua bandeira.

8- Não existe vida depois do futebol, lembre-se. É o único esporte e seus praticantes são mais que homens, são divindades.

9- Não busque caminhos à margem da rotina geral. Siga o grosso do rebanho.

10- O dinheiro e a posição social definem o caráter e o sucesso.

11- A rotina é a lei e a lei é a rotina. De casa para o trabalho, dele para a casa e, uma vez nesta, televisão o mais possível.

12- Declare guerra de morte aos que te disserem que vivem por um ideal que “não está no estômago, nem nos nervos, nem no sangue”, como dizia Humberto Rohden.

13- Lembra a história de Fernão Capelo gaivota? Viu o que aconteceu a ele? Quer um destino igual? Portanto, permaneça na segurança do bando, sempre.

14- Se não está no teu livro religioso não existe. É besteira, ou pior, loucura.

15- Teatro, música, balé, literatura, cinema, filosofia, escultura, pintura, ciência etc. são dispensáveis. O que vale é a cerveja e o futebol. Só isso constrói!

16- Cuidado com a prática da caridade. Mas se a praticar, lembre-se de publicar seus feitos na mídia, para que os outros saibam o quão humanitário você é.

Assim, caro leitor, você estará seguro de vôos incertos e perigosos, rumo a destinos desconhecidos. Sua mediocridade ficará assegurada, as mudanças não o atropelarão e você conhecerá, sempre, o caminho á sua frente.

Por outro lado se nossa receita não lhe apetecer e se você decidiu seguir o inverso de seus mandamentos, prepare-se! Você será crucificado – visto que o maior idealista da história o foi – e terá um árduo caminho. Mas em compensação, conhecerá uma coisa que nossos caros cultores da mediocridade jamais conhecerão: o significado da palavra “vida”.

- de Jamil Salloum Jr. (jornalista do Diário dos Campos – Ponta Grossa/PR) - extraído do livro: EU E OS OUTROS IMORTAIS de Durval Teixeira Schülli de Almeida.

Sinto Vergonha De Mim

Sinto vergonha de mim…
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o “eu” feliz a qualquer custo,
buscando a tal “felicidade”
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos “floreios” para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre “contestar”,
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer…

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro !

***

“De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto.”

- Rui Barbosa -

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Quando Todo Final For O Que Restou De Mim...

Sou o que sobrou do brilho intenso que teus olhos mostravam
E não me restou nada a não ser a escuridão dos sonhos
E nem dos anjos que imaginávamos voar
Sobraram as asas para agarrarmos

E como no primeiro poema
Em que olhei minhas mãos e as imaginei velhas e enrugadas
Do tempo perdido com um amor que não existia
Elas ainda envelhecem sem nenhuma outra a lhe apertar com carinho
E vendo os anos passando, e seus invernos sem fim
Por vezes creio que as verei gélidas
Balançando solitário na única cadeira de balanço da varanda
Vendo o pôr do sol e a noite chegar
E a morte que se anuncia como nó na garganta
Do mesmo tempo que achamos ser eterno
Não sai mais com um grito de amor
Então me aconchego entre os trapos de tecido e os da alma
E balanço-me esperando a juventude de um coração que ainda bate
E tem apenas um ritmo quando das suas recordações me lembro
A morte talvez me encha de esperança
A morte física do desprender desse corpo que sofre
Pois vivo o balanço do meu corpo já morto pela falta da luz que vinha de seus olhos
E do sorriso que alegrava os dias

Um homem não é mais que seus sonhos
Um homem não é nada sem amor
Um amor sem sonhos é como homem sem alma
Sem sua alma não existo, não existe sonhos... nem amor

As estrelas agora me fazem companhia
Neste lugar em que ter um corpo não importa
Então em sonho sobrevôo teu corpo e teu toque
E de desejo em desejo, descanso em teu ventre
A idade não me impede de sonhar, de ser feliz
Apenas o acordar é destruidor
Permita-me então dormir eternamente... num sonho amante
De almas entrelaçadas
E corações vivos
Não me acorde mais...

O que percebi nesses anos todos?
O tempo sugou-nos... e só restou a mim
Um velho corpo morto de uma alma que não viveu
A balançar-me entre cobertores, em nossa varanda...

- Fabricio Marchi -

domingo, 28 de março de 2010

Procura-Se Um Amante...

Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de ter um.

Há também as que não têm, e as que tinham e perderam.

Geralmente são essas últimas as que vêm ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro ou as mais diversas dores.

Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre.

Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança.

Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: "Depressão", além da inevitável receita do antidepressivo do momento.

Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que elas não precisam de nenhum antidepressivo; digo-lhes que elas precisam de um AMANTE!

É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho.

Há as que pensam: "Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas?!" Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais.

Àquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte: AMANTE é "aquilo que nos apaixona". É o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir.

O nosso AMANTE é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.

Às vezes encontramos o nosso amante em nosso parceiro, ou em amigos, mas que nos despertam as maiores paixões e sensações incríveis.

Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto...

Enfim, é "alguém" ou "algo" que nos faz "namorar" a vida e nos afasta do triste destino de "ir levando".

E o que é "ir levando"? Ir levando é ter medo de viver.

É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva.

Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã.

Por favor, não se contente com "ir levando"; procure um amante, seja também um amante e um protagonista... da SUA VIDA... Acredite: o trágico não é morrer; afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém.

O trágico é desistir de viver; por isso, e sem mais delongas, procure um amante...

A psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental:

"PARA SE ESTAR SATISFEITO, ATIVO E SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, É PRECISO NAMORAR A VIDA."

- Dr. Jorge Bucay - tradução do original "Hay que buscarse un Amante" -

domingo, 21 de março de 2010

Esse Incrível Amor...

Dizem que é este arroubo que faz o coração disparar, o sangue fluir ao rosto, as pernas tremerem ante a visão do ser amado.

Afirmam que amar é abraçar forte e, abraçados, assistirem o sol se aconchegar no poente, para adormecer até ser despertado pela manhã.

Falam que o amor é este sentimento que emula o ser a escrever poemas, a declamar sonetos e compor serenatas...

Sim, tudo isto são expressões do amor. Do amor de um ser para o outro.

Mãos que se entrelaçam, corpos que se aproximam, que se movimentam ao som da música que os embala. Abraços, beijos.

Mas o amor verdadeiro é quando tudo isso persiste após anos de convivência.

Amar é sentir prazer de estar com o outro, ouvi-lo, acalentá-lo.

Nos dias tristes, o amor é a nota melódica que cantarola esperança em ouvidos atentos.

É fazer uma declaração de amor, cantando versos, depois que as rugas fizeram arabescos na face e os cabelos se tingiram de neve e prata, ao toque dos delicados dedos do tempo.

Amar é, depois de filhos crescidos, netos à vista, dançar à luz do luar, no jardim da casa, na varanda do apartamento, observados por um céu de estrelas.

Amar é surpreender o outro com uma flor, um mimo em data qualquer.

É sair para tomar um suco, um só, no mesmo copo, com dois canudinhos. Só para poder encostar o nariz um no outro e os olhos sorrirem.

É repartir a pizza, para dividir as calorias. É tantas coisas pequenas, grandes, imensas...

É dizer: Deixe que eu faço.Você está tão cansada.

É buscar as crianças, banhá-las, dar-lhes o lanche e quando ele chegar, estar pronta para convidar: Vamos jantar só nós dois, em algum lugar?

É descobrir o que pode fazer o outro mais feliz. É preocupar-se com ele.

É comentar o novo penteado, elogiar a roupa nova.

É segurar a mão, no hospital, enquanto o ser amado convalesce.

É falar de esperança, acenando melhores dias, quando as sombras do desalento comparecem no céu familiar.

Amar é ter tempo para assistir juntos um filme, comentar depois e... assistir outra vez, para reviver as emoções positivas da primeira vez.

É lembrar do dia do aniversário, é surpreender.

Enfim, o amor verdadeiro é aquele que solidifica nos anos, amadurece no tempo e se perpetua pela vida afora.

Pense nisso e se pergunte se você ama de verdade.

Pense quando foi a última vez que fez uma declaração de amor, fez um elogio, deu um presente.

Quando foi a última vez que saiu para jantar, para dançar, para passear.

Quando foi a última vez que saíram de mãos dadas, que assistiram a um show de cabeças coladas uma à outra...

Pense.

E se descobrir que faz muito tempo, surpreenda seu amor ainda hoje.

Convide. Invente, mostre que em seu coração o sentimento sublime ainda vige, forte, rijo, maravilhosamente presente.

Mas, faça isso, hoje.

Não estanque o gesto, nem perca a chance.

O amanhã poderá ser o momento que não chegue.

(Ilustração: Kristen Stewart & Robert Pattinson as Bella Swan & Edward Cullen in “Twilight”)

sábado, 20 de março de 2010

Bread - If

Se um quadro vale por mil palavras

Então, por que não poderia pintar você?

As palavras jamais mostrarão o que você veio saber.

Se uma pessoa pode lançar mi navios

Então, onde estou indo?

Não há ninguém em casa, exceto você

Você é tudo o que resta pra mim também

E quando meu amor pela vida está se apagando

Você vem e se deita sobre mim

Se um homem pudesse estar

Em dois lugares ao mesmo tempo

Eu estaria com você

Hoje e amanhã

Ao seu lado de todas as formas

E se o mundo fosse parar de girar

Girando lentamente até morrer

Eu ficaria no final com você

E quando o mundo acabar

Aí uma por um, as estrelas apagariam

E nós simplesmente voaríamos para longe...

Demis Roussos - Forever And Ever

Salvatore Adamo - F... Comme Femme

Richard Anthony - Aranjuez Mon Amour

If You Could Read My Mind - Gordon Lightfoot

Se você pudesse ler minha mente, amor,

Que conto meus pensamentos poderiam dizer!

Assim como um filme antigo

sobre um fantasma de um desejo.

Em um castelo obscuro, ou uma fortaleza segura.

Com correntes em meus pés.

Você sabe que aquele fantasma sou eu,

e eu nunca serei libertado,

enquanto eu for um fantasma que você possa ver.

Se eu pudesse ler seus pensamentos, amor,

que conto seus pensamentos poderiam dizer!

Assim como um romance de bolso,

daqueles que vendem na farmácia.

Quando você chegar nas partes das dores do coração,

o herói serei eu.

Heróis as vezes falham.

E você não vai ler esse livro novamente,

porque o final é muito difícil.

Eu vou embora como uma estrela de cinema,

que se queima em um roteiro.

Entre número dois, uma rainha de cinema,

para interpretar a cena de dizer todas as minhas qualidades,

mas por enquanto, amor, sejamos realistas.

Eu nunca pensaria que poderia agir assim,

e eu tenho que dizer que eu apenas não entendo.

Não sei onde erramos,

mas os sentimentos se foram e eu não consigo reavê-los.

Se você pudesse ler a minha mente, amor,

que conto meus pensamentos poderiam dizer!

Assim como um filme antigo sobre um fantasma de um desejo.

Em um castelo obscuro, ou uma fortaleza segura.

Minha história sempre acaba com uma corrente em meus pés.

E se você ler as entrelinhas,

vai saber que só estou tentando entender

o sentimento que você deixou.

Eu nunca pensaria que poderia agir assim,

e eu tenho que dizer que apenas não entendo.

Eu não sei onde erramos,

mas os sentimentos se foram

e eu não consigo reavê-los.