sábado, 14 de fevereiro de 2009

Você É Luz


Sozinhos,

somos estrelas que cintilam...

Juntos,

compomos o Corpo de Luz deste Planeta.

Trazemos na memória o amor e as conquistas

de nossas caminhadas...

 

Por que temer?

 

É chegada a hora de "ouvir"

as nossas vibrações pessoais...

Cada um... ouça o seu som!!!

Sinta a sua Luz!

Perceba a Verdade que habita seu coração.

Sinta o seu propósito ao longo das eras...

 

Aquiete-se!

 

"Ouça" as estrelas...

O universo está aí...

bem dentro de você!!!

Cada astro, cada estrela,

cada lua, cada sol... têm o seu lugar.

 

Há mais vida,

há mais organização do que suspeitamos...

É hora de mostrar ao mundo a sua Luz.

De fazer vibrar o seu som...

É hora de contribuir para o Plano Maior!

Por um mundo melhor...

 

Rituais de passagens são

movimentos de renovação

e de silenciosas transformações...

Deixe-se levar por seu coração.

Ele sabe o caminho...

Deixe a luz penetrar...

Inspire a força que vem do Cosmos,

erga a cabeça e caminhe,

guiado pela Verdade.

E seja pleno, feliz, pois você é...

filho amado de Deus!!!

 

- autor desconhecido -

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O Caminho da Vida

A História está repleta de pessoas que, como resultado do medo, ou por ignorância, ou por cobiça de poder, destruíram conhecimentos de imensurável valor que em verdade pertenciam a todos nós. Nós não devemos deixar isso acontecer de novo.

 

- Carl Sagan -

 

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.

 

A cobiça envenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódios... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e morticínios.

 

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.

 

Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.

 

Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

 

- Charles Chaplin –

 

(Ilustração: cena do filme ‘O Grande Ditador’)

 

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Mude

Mas comece devagar,

Comece na sua velocidade. 

Sente-se diferente, em outra cadeira, 

no outro lado da mesa. 

Mais tarde, mude de mesa. 

Quando sair, ande pelo outro lado da rua, 

depois mude de caminho, 

ande por outras ruas, mais devagar, 

observando os lugares por onde passa. 

Tome outros ônibus, se for o caso. 

Mude por uns tempos o estilo das roupas, 

dê os seus sapatos velhos, 

procure andar descalço por uns dias. 

Tire uma tarde livre 

para passear no parque ou na praia. 

Saia sozinho para ouvir o canto dos pássaros. 

Veja o mundo de outras perspectivas. 

Abra gavetas e portas com a mão esquerda. 

Durma no outro lado da cama. 

Depois, de ponta-cabeça. 

Assista a outros programas de tv, 

compre outros jornais, 

leia outros livros, 

viva outros romances. 

Troque de carro. 

Não faça do hábito um estilo de vida. 

- Ame a novidade. 

Corrija a postura, faça ginástica,

durma mais tarde, ou acorde mais cedo. 

Aprenda uma palavra nova por dia 

numa outra língua. 

Escolha novas comidas, temperos, cores, 

diferentes delícias. 

Experimente a gostosura da pouca quantidade. 

- Tente o novo todo dia. 

O novo lado, 

o novo método, 

o novo jeito, 

o novo sabor, 

o novo prazer, 

o novo amor. 

- A nova vida. 

Faça novos amigos, mantenha novas relações, 

almoce em outros lugares, 

vá a outros restaurantes, 

tome outros tipos de bebida, 

compre pão em outra padaria. 

Almoce mais cedo, jante mais tarde - ou vice-versa. 

Escolha outro mercado, 

outra marca de sabão, novos cremes. 

Tome banho em horários variáveis. 

Use canetas de outras cores. 

Vá passear em outros lugares. 

(Comece agora uma viagem para bem longe do aqui.) 

Faça amor de modos diferentes. 

Troque de bolsa, de carteira, de malas. 

compre novos óculos, 

escreva outras poesias, jogue fora o despertador. 

Abra conta em outro banco. 

Vá a outros cinemas, novos cabeleireiros, 

outros teatros. 

Visite novos museus. 

- Mude. 

Você conhecerá coisas melhores 

e coisas piores do que as já conhecidas, 

mas não é isso o que importa. 

O mais importante é a mudança, 

o movimento, o dinamismo, 

a energia. 

Dessa forma, apenas dessa forma - você viverá. 

- Só o que está morto não muda! 

- Clarice Lispector –

(Ilustração: MAGRITTE, René - Le fils de l'homme)

domingo, 25 de janeiro de 2009

Rendez-Vous

“És minha!” A voz saiu-lhe mais rouca e sexy que nunca, o olhar aguçado e febril.

Agarrou-lhe o cabelo e beijou-a de raiva e paixão. Mordeu-lhe, com força, o lábio inferior e sentiu o gosto da posse. Prendeu-a a si íntimos e carnais minutos.

Completamente fêmea, ela deixou que ele a conduzisse. Nua, sentada ao seu colo, ressaltavam as costas, as pernas e os sapatos pretos de salto bem alto, numa atitude felina que se revelava como a sua verdadeira natureza.

Tinham retomado há pouco tempo aquela relação muito própria, cúmplice, carnal, arrebatada. Estiveram muitos anos separados, sem que o tempo tivesse eliminado das mãos e dos corpos, memórias de rotas e destinos.

Só ele sabia cumprimentá-la, despenteando-a e passando os dedos na nuca. Só ela entendia nele determinado olhar e pequenas alterações de freqüência na voz.

Existia entre eles esse jogo de comunicação íntima. Uma espécie de jogo confidencial, silencioso, de regras e códigos privados, deliciosamente excitante. Nos encontros em ocasiões sociais, escoravam o intenso desejo, alternando desafio com provocação.

Quando ela chegou, com avareza, lhe desapertou o vestido lilás e a pegou no colo. Ela, em investidas calculadas, oferecia a boca, o corpo e desafiadoramente o provocava com o olhar. Algemou-a. Ela adorou. No tom dourado da pele sobressaía o vison preto que revestia as sensualíssimas algemas.

Submeteu-se-lhe sem capitular, combateu sem lutar, opôs-se sem resistir.

Nenhum outro homem a sabia provocar e dominar. Nenhum homem a conhecia tão bem.

Algemaram os pulsos esquerdos como se fosse a realidade tangível daquele encontro, disseram frases de aparência desconexa e palavras sem sentido mas consentidas.

Na hora mágica do fim da tarde, sentados na varanda, bebendo café, conversaram imenso. Jamais tinham estado tão próximos, tão cúmplices, tão livres.

Também ela nunca tinha visto aquela luz nos seus olhos e pensou que ele nunca estivera tão bonito.

Se ele a descrevia dizendo que nela se misturavam um marcado ar selvagem e um intenso glamour, ela sentiu que nele se corporizava o mais sexy e atraente esbanjador de charme.

- Marlene Dietrich -

sábado, 24 de janeiro de 2009

Os Três Mal-Amados

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

 

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

 

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

 

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

 

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

 

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

 

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

 

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

 

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

 

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

 

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

- João Cabral de Melo Neto -