segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Já Tentei Ser Paz...

Já tentei ser paz

Me vi como expectador de batalhas

Onde impassível vi corpos caírem

Sangue derramado

Armas, farpas, ódio

Giram ao meu redor, como se eu estivesse numa redoma

Tentando sair, tentando não deixar acontecer aquilo... e vendo que nada posso fazer a não ser assistir

Já tentei ser bom

Passei ao largo da bondade

Como se ser assim causasse dor

E por mais facilidade que encontro em amenizar a vida

Não mais existe ao corpo ao qual estendi a mão

Hoje sou apenas imagem, daquilo que desejei viver

Já tentei apertar forte o invisível

Como um distante presente

Apenas vi-me abraçar solitário, o ar companheiro

E teria ido ligeiro

Se não existisse ausência

Já tentei ser brisa

Transformei-me ao sol, em tempestade

E desde que ele parou de brilhar

Transformaram-se os dias em garoa

Já tentei ser pluma

Das que elevam os pássaros ao baterem as asas

Mas... sem pássaro , sem força , a pena também tem seu peso

E acaba misturada ao chão

Tentara ser...

Mas aprendi

O grande castigo do mundo é deixar o amor se perder e não se perder pelo amor

Fui poesia, sonho

Transformei-me em lembrança

Estandarte dos erros cometidos

A ser mirado todas as vezes que as lagrimas caírem

Ou como cicatriz de uma luta que não se quis

Meu egoísmo só, me leva a crer que, já não me permito olhar da mesma forma a mesma paisagem

As cores mudaram e... insistentemente não quero crer

Que a pintura está desbotada, rota, escorrida

Hoje passeio como alma cheia de virtudes

Que não me valem absolutamente nada

E Com a certeza de ter ido

Apenas... nunca cheguei

As certezas não me prestam nem ao menos como recompensa

Já tentei ser tanta coisa

Apenas me restou eu mesmo como ser...

- Fabricio Marchi –

(Esse texto lindo tem TUDO A VER comigo...)

Um comentário:

Dani disse...

O Fá é um grande artista do coração!!!